A Arte Sacra e sua espiritualidade - artigo semanal da Diocese de Jales
- Alexandre Ribeiro Carioca

- 6 de nov.
- 3 min de leitura
Assessor da Comissão de Arquitetura, Engenharia e Arte Sacra
A arte sacra é um assunto que não é muito comentado e nem discutido nos
vários segmentos da Igreja. Quase ninguém fala dela, mas ela está aí, na maioria das
nossas igrejas, na arquitetura, nos paramentos litúrgicos, nas vestimentas e acessórios,
na ornamentação, nos vitrais, nos desenhos de passagens bíblicas e principalmente nas
imagens dos santos, quer em forma de esculturas, quer em forma de pinturas nas
paredes.
A arte sacra representa uma forma de manifestação artística que está
intimamente relacionada com a religiosidade e o sagrado. Atualmente, podemos
encontrar museus com obras da Arte Sacra em todas as partes do mundo. No Brasil, a
arte sacra foi a primeira manifestação na época colonial, sendo Aleijadinho um dos
mais importantes nomes da Arte Sacra no contexto do barroco mineiro.

Padre Geraldo Trindade Furlaneto
Padre Geraldo Trindade Furlaneto
Para nós, católicos, a “Arte Sacra” é aquela arte religiosa que tem um destino de
liturgia, isto é, aquela que se ordena a fomentar a vida litúrgica nos fiéis e que por isso
não só deve conduzir a uma atitude religiosa genérica, mas há de ser apta a
desencadear a atitude religiosa exigida pela liturgia, ou seja, para o culto divino.
Embora o conceito de Arte Religiosa e Arte Sacra se aproximem, há uma
diferença entre elas. A Arte Religiosa reúne obras artísticas de cunho religioso e pode
ser representada por esculturas de santos e pinturas de passagens bíblicas, por
exemplo. Essas manifestações geralmente estão fora dos lugares de cultos e rituais
religiosos. Já a Arte Sacra são obras de teor religioso que estão relacionadas aos
rituais. Sua função é adornar os locais em que os ritos e celebrações religiosas
ocorrem. Assim, envolvem as sensações de religiosidade e fé dos fiéis envolvidos,
mediados por um ambiente sagrado chamado de “espaço litúrgico”.
A “Arte Sacra” é a arte que tem um destino de liturgia, se ordena a fomentar a
vida litúrgica nos fiéis e que por isso não só deve conduzir a uma atitude religiosa
genérica, mas levar todos a viver uma espiritualidade que leva à oração, todas as vezes
que se deparam com a arte proposta pelo artista sacro.
Em resumo, ambas possuem temática religiosa e tem como intuito adornar os
espaços. Porém, a Arte Sacra é produzida para fazer parte dos cultos divinos ou rituais
religiosos, de maneira mais específica, na Sagrada Liturgia. Dessa maneira, podemos
concluir que a Arte Sacra surge da Arte Religiosa. Logo, toda Arte Sacra é religiosa,
entretanto, nem toda Arte Religiosa pode ser considerada sacra.
Como exemplo, podemos pensar no afresco “A Última Ceia” (1495-1497) do
pintor renascentista Leonardo da Vinci. Essa obra se encontra na Igreja e Convento de
Santa Maria da Graça em Milão. Se está inserida num local relacionado aos cultos
sagrados, ela é considerada uma arte sacra.
A arte sacra, não só deve servir à Liturgia e respeitar os fins especificamente
litúrgicos – ainda que mantendo-se fiel às suas exigências naturais como arte, mas
deve expressar e favorecer à sua maneira esses fins, dirigindo a essa finalidade o
prazer estético que, por sua natureza, à mesma arte lhe cabe produzir. Por isto, se o
artista, além de o ser autenticamente, não estiver vitalmente penetrado da religiosidade
geral e ao mesmo tempo da religiosidade litúrgica, não poderá produzir uma obra
autêntica de arte sacra.
A arte sacra é necessária que seja compreensível, ou seja, que sirva de
ensinamento, porque é uma “teologia em imagens". Deve representar as verdades da
fé, não de um modo arbitrário, mas de exposição do dogma cristão com a maior
fidelidade possível e com sentimentos autenticamente piedosos.
Como resposta a essa necessidade, a Igreja propõe a formação de uma Comissão
Diocesana de Arte Sacra, ampliada posteriormente como Comissão de Arte Sacra e
Bens Culturais da Igreja. No que diz respeito à arte sacra, tem por objetivo auxiliar as
comunidades na análise dos projetos de construção, reforma, restauração, ampliação,
adequação e adaptação externa das igrejas e seus anexos, a fim de garantir unidade e
fidelidade às normas requeridas pela própria igreja para seus espaços. Esses projetos
devem ser elaborados por profissionais habilitados, preferencialmente com formação
na área de concepção do espaço litúrgico.
A Comissão de Arte Sacra deve ser constituída de liturgistas, profissionais da
área de arquitetura, engenharia e arte, com especialização em arte sacra e espaço
litúrgico. Quando possível e necessário, haja também a presença dos responsáveis pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ou Estadual.
Em nossa diocese essa Comissão existe desde o ano 2013 e é composta por
engenheiros, arquitetos, artistas de todos os setores da diocese e tendo um padre que
acompanha e assessora. No caso, sou eu, padre Geraldo Trindade Furlaneto, desde
quando começou essa Comissão.
Três Fronteiras-SP, 4 de novembro de 2025











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