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Diocese de Jales lança Campanha da Fraternidade de 2026 com o tema “Fraternidade e Moradia”

  • 20 de fev.
  • 4 min de leitura

Na manhã de Quarta-Feira de Cinzas (18), que marca o início do Tempo

Quaresmal da Igreja Católica, foi realizado no Centro Catequético “Maria

de Nazaré”, da Paróquia Santa Luzia, em Palmeira d’Oeste, o lançamento

público da Campanha da Fraternidade de 2026 (CF) na Diocese de Jales.

Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”

(Jo 1,14), a Campanha da Fraternidade acontece junto com a quaresma no

Brasil como forma de vivenciar melhor e colocar em prática o evangelho

de forma comunitária e social.

A mesa de honra foi composta pelos padres Maximiano Pelarim Neto

(pároco da Paróquia Santa Luzia de Palmeira d’Oeste), Eduardo

Rodrigues Magnani (Coordenador Diocesano de Pastoral), Tiago Vinícius

Raimundo Caetano (assessor da Campanha da Fraternidade), Jean Ferreira

(assessor da Cáritas Diocesana de Jales), José Aparecido Ferro Martinez

(vigário geral da Diocese de Jales), como também a Irmã Maria Aparecida

Felipe (assistente social da Cáritas Diocesana de Jales) e o juiz Rafael

Salomão Oliveira (Vara Única da Comarca de Palmeira d’Oeste).



Também participaram do lançamento seminaristas, religiosas, leigos(as),

representantes da Prefeitura e Câmara Municipal de Palmeira d’Oeste,

movimentos sociais e a imprensa. O Bispo Diocesano de Jales, Dom

Reginaldo Andrietta, não esteve presente no lançamento por conta de uma

reunião da sede do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho

(CELAM).

O padre Max recordou durante sua fala que “o lançamento da CF em Palmeira

d’Oeste lembra o que a cidade passou há meses atrás, quando o município

foi atingido por uma forte chuva de granizo e que danificou a maior parte

das casas, deixando até famílias desabrigadas. Também o lançamento

acontece aqui pois a Paróquia Santa Luzia é a Paróquia Missionária da

Diocese de Jales neste ano”, explicou.

O padre Eduardo Magnani lembrou que “a mística que nos guia nesta jornada é

o da 'morada'. Ao longo da nossa existência somos moldados por essas

moradas. A nossa jornada inicia no silêncio sagrado do ventre materno,

nossa primeira morada. Passamos pelos lares da nossa infância, na vida

adulta, nas comunidades e estruturas que nos acolhem até chegar em nossa

morada eterna ao lado de Deus. Não podemos falar de conversão quaresmal

se fecharmos nossos olhos e corações para a urgência da dignidade da

habitação aos nossos irmãos e irmãs”.


DIREITO À MORADIA

O juiz Rafael Salomão Oliveira lembrou que a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 estabelece que a moradia é direito das pessoas. “A Igreja é fundamental não só para a espiritualidade, mas também para a organização social. Para mim, é muito

gratificante saber que a Igreja está engajada na realidade social e

assistencial. Sabemos que a Constituição Brasileira no artigo 6º estabelece

a moradia como direito fundamental e social, busca enfrentar a especulação

imobiliária, que a campanha também traz como reflexão”, explicou o juiz.

Padre Tiago, assessor da CF, reforçou que a campanha não é apenas um

slogan, mas é um processo concreto que busca fazer com que a sociedade

enfrente a realidade a partir da palavra de Deus. “Falar de moradia é trazer

vida, dignidade, segurança, pertencimento. É falar do lugar onde a pessoa

descansa, sonha, constrói relações e encontra proteção. A CF não é apenas

uma campanha social, ela é um processo educativo e nos ajuda a viver a fé

de forma concreta, comprometida com a verdade e as dores das pessoas”,

disse.

Por fim, a irmã Maria Aparecida explicou que “no Brasil ainda são milhões e

milhões de pessoas que sofrem sem um lugar para viver com dignidade. O

objetivo da CF é fazer com que as pessoas tomem consciência do problema

da moradia, sensibilize e faça com que possamos agir efetivamente em

nossas famílias, comunidades e municípios, levando as pessoas o

conhecimento sobre políticas públicas em prol da moradia”.

Também nesta quarta-feira, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

(CNBB) lançou oficialmente a CF 2026 em cerimônia realizada na sede da

instituição, em Brasília (DF). A iniciativa convida a Igreja e a sociedade a

refletirem sobre a moradia como direito fundamental e expressão concreta

da dignidade humana.


A CAMPANHA

Esta não é a primeira vez que Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

(CNBB) coloca a questão da moradia em destaque. Em 1993, a Campanha

da Fraternidade trouxe o tema “Moradia” e o lema “Onde moras?” (Jo

1,39), assim como também explicou Pe. Tiago Vinícius durante sua

apresentação.

Naquele ano, a CF denunciou a desigualdade urbana e o contraste entre a

“cidade legal”, planejada e estruturada, e a “cidade irregular”, marcada por

favelas, cortiços, ocupações e moradias precárias.

Ao retomar a temática da moradia em 2026, a CF reforça sua missão

histórica: transformar a espiritualidade quaresmal em compromisso

concreto com a justiça social.


MENSAGEM DO PAPA

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem para a Campanha da Fraternidade

de 2026, destacando o papel das CFs. “Com o intuito de animar o povo fiel

em cada itinerário quaresmal, há mais de 60 anos que a Igreja no Brasil

realiza a Campanha da Fraternidade, momento em que, como comunidade

de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros

destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na

Exortação Apostólica Dilexi te: convencidos de que «existe um vínculo

indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenhar-nos

cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94).”.

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