Delegado alerta sobre golpe do investimento com plataforma falsa: "se pedir em depósito para liberar saque desconfie imediatamente
- Alexandre Ribeiro Carioca

- 10 de jan.
- 3 min de leitura
Assessoria de Imprensa
Casos envolvendo o chamado “golpe do investimento” têm se multiplicado em diversas regiões do Brasil. A fraude costuma seguir um roteiro bem definido: a vítima é atraída por uma suposta oportunidade de investimento, acompanha “ganhos” em uma plataforma online e, quando tenta sacar o valor, recebe a exigência de um novo pagamento — geralmente apresentado como taxa, imposto, caução, comissão ou “percentual para liberação”. A Polícia Civil alerta que, na maior parte das vezes, essas exigências são informações falsas usadas para prolongar o golpe e ampliar o prejuízo.

Quem explica é o delegado de polícia Higor Vinícius Nogueira Jorge, ouvido pela reportagem. Segundo ele, os criminosos se valem de linguagem técnica, aparência de profissionalismo e pressão psicológica para capturar a confiança do investidor. “Eles constroem uma narrativa de credibilidade, muitas vezes citando sedes no exterior e até instituições financeiras conhecidas, para dar sensação de segurança. Mas o ponto central é: quando o saque é solicitado, criam uma barreira artificial e passam a exigir depósitos adicionais. Esse é um sinal de alerta muito forte”, afirma.
O delegado destaca que a fraude pode começar por indicação de conhecidos, anúncios em redes sociais ou contato direto por aplicativos de mensagem. A partir daí, a vítima passa a ser atendida por supostos “corretores”, “consultores” ou “representantes” que conduzem a conversa quase sempre por WhatsApp ou Telegram. A plataforma utilizada pelo golpe costuma exibir números atrativos e gráficos de desempenho, reforçando a impressão de que há rentabilidade real. “O problema é que, em muitas situações, o que existe é apenas um painel que mostra números. Não há transparência, não há documentação consistente e, quando a pessoa tenta resgatar, vem a história da taxa obrigatória. Em regra, isso não se sustenta. É parte do mecanismo fraudulento”, diz.
Questionado sobre qual seria o indício mais evidente de golpe, Higor é direto. “A exigência de pagamento prévio para liberar saque é, talvez, o sinal mais característico. Se alguém diz que você precisa depositar um percentual do valor para poder retirar o que é seu, a orientação é: pare imediatamente, não transfira mais nada e desconfie. Golpistas exploram justamente esse momento, porque a vítima já colocou dinheiro e fica emocionalmente inclinada a ‘pagar só mais essa taxa’ para recuperar tudo. É assim que o prejuízo aumenta”, explica.
A reportagem perguntou também sobre o uso de nomes de bancos e empresas famosas no discurso dos criminosos. O delegado confirma que isso é recorrente. “Citar instituição conhecida não comprova nada. É uma técnica de persuasão. Eles falam em ‘processamento internacional’, ‘compliance’, ‘auditoria’, usam expressões para confundir e criar autoridade. Por isso, qualquer confirmação deve ser feita por canais oficiais, e não pelo telefone, link ou contato que o suposto corretor fornece”, alerta.
Para prevenir, Higor recomenda um conjunto de medidas simples, mas decisivas. Antes de investir, é indispensável verificar se a empresa existe de forma transparente, se há dados completos e verificáveis, responsáveis identificáveis e canais oficiais de atendimento. Também é importante pesquisar fora do ambiente apresentado por quem está oferecendo o investimento, sem se basear em prints, depoimentos e “provas” enviadas pelo próprio interlocutor. “E nunca se decide sob pressão. Investimento sério admite análise, contrato claro e checagem objetiva. Quando alguém tenta apressar a decisão, isso costuma ser um sinal de risco”, pontua.
No plano prático, o delegado orienta que a população adote regras de segurança que evitam a maioria dos casos. Entre elas, não enviar documentos, selfies, dados bancários e comprovantes para supostos suportes desconhecidos; não instalar aplicativos por links enviados por terceiros; desconfiar de pedidos de acesso remoto ao celular ou computador; e jamais transferir valores para pessoas físicas ou contas “de terceiros” sob justificativas genéricas de “intermediação” ou “setor financeiro”. “Esse tipo de golpe se alimenta da informalidade. Quanto mais a negociação foge de canais institucionais, mais o risco aumenta”, resume.
Se a pessoa suspeitar que caiu na fraude, a recomendação é agir rápido e com método. A primeira medida é interromper pagamentos e cessar a negociação, pois manter contato costuma ampliar o prejuízo. Na sequência, é essencial preservar todas as provas: conversas, links, nomes, perfis, e-mails, números, prints da plataforma, datas e comprovantes. O delegado orienta a procurar o banco imediatamente para comunicar o ocorrido e receber instruções sobre medidas cabíveis no caso concreto, além de registrar boletim de ocorrência o quanto antes, levando toda a documentação.
Por fim, Higor faz um alerta adicional: após o golpe, é comum que a vítima seja novamente abordada por supostos “especialistas” prometendo recuperar valores mediante taxa. “Muitas vezes é um segundo golpe, dirigido a quem já está fragilizado. A pessoa precisa saber que promessas fáceis e pressões para pagamento são sinais de fraude. Informação e cautela são as melhores formas de prevenção”, conclui.











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