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Crianças e adolescente não devem usar o Roblox, alerta delegado de polícia

  • Foto do escritor: Alexandre Ribeiro Carioca
    Alexandre Ribeiro Carioca
  • há 6 minutos
  • 4 min de leitura

O Roblox se consolidou como uma das principais plataformas digitais frequentadas por crianças e adolescentes, combinando jogo, rede social, criação de conteúdo e interação em tempo real. Esse modelo — altamente envolvente e massivo — amplia vulnerabilidades típicas da infância e adolescência e cria um ambiente fértil para abordagens predatórias, fraudes e violência psicológica. Entre os riscos mais sensíveis estão o aliciamento sexual online, a migração de conversas para canais externos (onde a vigilância é menor), golpes envolvendo moeda virtual e itens, além de assédio, cyberbullying e exposição a experiências inadequadas.


Diante da relevância do tema e do crescimento dos alertas sobre segurança infantil em plataformas com interação social intensa, ouvimos o Delegado Higor Vinicius Nogueira Jorge, especializado em investigação criminal tecnológica, para explicar quais são os crimes mais recorrentes, como ocorre a dinâmica de abordagem de criminosos e quais medidas concretas de prevenção devem ser adotadas por famílias e instituições.


1) Por que o Roblox virou tema de alerta?

Resposta: Porque ele não funciona apenas como jogo. Na prática, é uma plataforma social com interação entre usuários — inclusive desconhecidos —, com chat, voz, criação de ambientes e uma economia própria. Isso amplia a superfície de risco para menores. Quando você junta alto volume de usuários, comunicação rápida e possibilidade de migração para canais privados, você cria um cenário típico para crimes digitais: aproximação, manipulação, fraude e assédio.


2) O senhor recomenda que crianças e adolescentes deixem de usar a plataforma?

Resposta: Sim. A minha recomendação é direta: crianças e adolescentes não devem usar Roblox. Essa posição é preventiva. Não se trata de demonizar tecnologia; trata-se de reconhecer que o custo do erro, quando falamos de criança, é alto demais. Plataformas com socialização massiva e interação com desconhecidos trazem riscos estruturais que não são eliminados apenas com configurações.


3) Qual é o risco mais grave associado a esse tipo de ambiente digital?

Resposta: O mais grave é o aliciamento (grooming). O adulto se aproxima, constrói confiança, testa limites e tenta levar a conversa para um canal mais privado. Isso pode evoluir para coerção, chantagem, produção de conteúdo íntimo e, em situações extremas, tentativa de encontro presencial. Esse padrão é conhecido em investigações e em orientações de prevenção sobre exploração sexual online.


4) O que costuma agravar os casos quando uma abordagem indevida começa dentro do jogo?

Resposta: A migração da conversa para fora da plataforma. Quando alguém insiste em levar a criança para WhatsApp, Discord, Instagram ou qualquer canal privado, isso é um sinal crítico. A partir daí, o controle é menor, a manipulação costuma aumentar e a criança tende a ficar mais isolada, com medo ou vergonha de contar.


5) Além do aliciamento, quais crimes ou situações aparecem com mais frequência?

Resposta: Eu agruparia em três blocos principais:

1. Golpes e fraudes envolvendo moeda virtual e itens: promessas de “vantagens”, “Robux grátis”, links, trocas enganosas e roubo de conta.

2. Violência psicológica: assédio, cyberbullying, humilhação, perseguição e chantagens sociais.

3. Exposição a conteúdo inadequado e ambientes impróprios, apesar de políticas e moderação, porque sempre há tentativas de burla e o volume de conteúdo é enorme.


6) Muitos pais dizem: “Existe controle parental, então está tudo resolvido”. O que o senhor responde?

Resposta: Controle parental ajuda, mas não resolve. Medidas técnicas reduzem risco — não eliminam. A principal vulnerabilidade é humana: criança busca aceitação, pertencimento e validação. Criminosos exploram isso com engenharia social. Então, mesmo com ferramentas e filtros, continua existindo o risco de manipulação, coerção, pressão e abordagem gradual.


7) Qual é o erro mais comum das famílias ao lidar com esse tipo de plataforma?

Resposta: Dois erros: achar que é “só um joguinho” e terceirizar a proteção para a tecnologia. O segundo erro é reagir tarde, quando a conversa já saiu do ambiente e a criança já foi capturada emocionalmente. A prevenção precisa ser anterior, com regra clara e supervisão ativa.


8) Para famílias que insistem em permitir o uso, quais medidas mínimas são indispensáveis?

Resposta: Se a família insistir, as medidas mínimas são: restringir chat e voz ao máximo; ativar controle parental e acompanhar conexões; impedir contato com desconhecidos; proibir migração para redes externas; reforçar segurança de conta (senha forte e verificação em duas etapas); e, principalmente, manter supervisão real — não apenas “instalar e esquecer”. Ainda assim, repito: a orientação mais segura é não permitir.


9) Quais sinais de alerta indicam que algo pode estar acontecendo?

Resposta: Mudança de comportamento é importante: ansiedade, irritação, isolamento, medo após usar a plataforma. E sinais operacionais: esconder a tela quando alguém se aproxima, receber mensagens insistentes, alguém pedir segredo, pedir fotos, áudio, ou “prova de amizade”, oferecer vantagens em troca de conversa, ou insistir em contato fora do jogo. Isso exige intervenção imediata.


10) Se houver suspeita de abordagem sexual, chantagem ou ameaça, qual deve ser a conduta imediata?

Resposta: Interromper o contato e preservar evidências. Prints, usuário, datas, horários, links, tudo. Bloquear, denunciar na plataforma e procurar canais oficiais de denúncia e uma Delegacia de Polícia quando houver indício de crime. O tempo importa muito: preservar evidência cedo aumenta a chance de identificar autoria e evitar que outras vítimas sejam alcançadas.


11) Qual é o papel da escola nesse cenário?

Resposta: A escola tem papel central. Precisa tratar como educação digital e proteção: privacidade, manipulação, golpes, limites de comunicação com desconhecidos, sinais de aliciamento e canais de acolhimento. O pior cenário é a criança achar que será punida se contar. A escola e a família têm que criar um ambiente em que pedir ajuda seja sempre seguro.


12) Para finalizar: qual mensagem o senhor considera essencial para os pais?

Resposta: Criança não tem obrigação de administrar risco digital sozinha. Essa é uma responsabilidade do adulto. E, nesse caso específico, a forma mais segura de proteção é simples e objetiva: crianças e adolescentes não devem usar Roblox. Existem alternativas mais controláveis. Em proteção de menores, a pergunta não é “dá para usar?”. A pergunta é “vale o risco?”. Aqui, não vale.

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