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CLAMORES DO POVO TRABALHADOR - Dom Reginaldo Andrietta, bispo diocesano de Jales

  • Foto do escritor: Alexandre Ribeiro Carioca
    Alexandre Ribeiro Carioca
  • 6 de set.
  • 2 min de leitura


O Brasil comemora nesta semana sua independência, que, para muitos ainda é fictícia

e extremamente desejada. O “Grito do Ipiranga”, dado por Dom Pedro I, foi na

realidade a transferência de poderes. Tudo ficou em família. Para os pobres nada

mudou. A escravidão continuou existindo; depois, mudou de forma. A exploração,

hoje, é dissimulada: muitas proteções legais, conquistadas “a duras penas” pelos

trabalhadores e trabalhadoras, lhes são negadas ou são fraudadas.

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O verdadeiro “Grito de Independência”, é hoje, o “Grito dos Excluídos e das

Excluídas”, uma manifestação de gente trabalhadora que ocorre no dia 7 de setembro,em todo o país, desde 1995. Esse “Grito” surgiu em resposta aos graves problemas

sociais, tratados na 2a. Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no ano de 1994, motivado pela Campanha da Fraternidade daquele ano, cujo tema foi “Fraternidade e os Excluídos”.

O lema daquela Campanha, “Eras tu, Senhor?”, retrata a ética da compaixão e da solidariedade de Jesus, contida no Evangelho de Mateus, capítulo 25: “eu estava com

fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era

estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu

estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e me visitaram”. Essa ética é

critério fundamental para se entrar no Reino de Deus.

O “Grito dos Excluídos e das Excluídas” é um clamor de todos os que vivem e

trabalham em condições precárias, dirigido a Deus e à sociedade toda. Nas palavras de

nosso saudoso Dom Luciano Mendes de Almeida, o “Grito dos Excluídos e das

Excluídas “é o clamor de um povo que toma consciência de seus direitos e anseia por

ver respeitada sua dignidade”. Ele é também um “Grito” em defesa da democracia em

nossa país, muito frágil ainda e continuamente ameaçada.

Nossa democracia tem se limitado às eleições. No entanto, este ano, amplos segmentos

da sociedade estão engajados na realização de um Plebiscito, que é um meio

constitucional de participação popular, sobre matérias de grande relevância: taxação

maior de grandes fortunas e isenção de imposto de renda para quem recebe até 5 mil

reais; redução dos dias de trabalho para quem tem escala semanal de 6x1 e redução da

jornada de trabalho, sem redução de salário.

Simultaneamente, cresce a mobilização contra a “Pejotização” irrestrita, que é um

modelo de contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas (PJs), sem os custos de

um vínculo empregatício formal. A “Pejotização” irrestrita, em análise no Supremo

Tribunal Federal, se for validada juridicamente, justificará fraudes trabalhistas, retirará

direitos dos trabalhadores e reduzirá muito os recursos destinados à saúde, à

previdência e à assistência social.

O cenário trabalhista e social atual poderá se tornar catastrófico se a reação e as

mobilizações populares em âmbito nacional forem inexpressivas. Nesse contexto,

entidades de peso moral na sociedade brasileira, como a Conferência Nacional dos

Bispos do Brasil, podem cumprir a importante missão de instarem os poderes

constitutivos da República a ouvirem os clamores do povo trabalhador, dialogarem

democraticamente e encontrarem soluções justas.


Jales, 04 de setembro de 2025.

Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales

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ou alexandreribeiro.carioca@gmail.com

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