41ª Semana do Migrante segue até domingo, 21
- há 1 dia
- 3 min de leitura
A partir deste domingo, dia 14, até 21 de junho de 2026, está sendo realizada a
41ª Semana do Migrante, promovida pelo Serviço Pastoral dos Migrantes
(SPM), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB).
A edição deste ano traz como tema “Migração e Moradia” e o lema
impactante “Eu não tenho onde morar!”. A mobilização está em sintonia
com a Campanha da Fraternidade 2026, que aborda a “Fraternidade e
Moradia”. O objetivo é convidar a Igreja e a sociedade civil a refletirem
sobre a habitação não apenas como uma necessidade, mas como um direito
fundamental e uma expressão concreta de acolhida. A iniciativa reforça o
convite para que a sociedade brasileira veja a moradia não como
mercadoria, mas como um direito humano frequentemente negado por
estruturas de exclusão.

O SPM chama a atenção para a vulnerabilidade de migrantes, refugiados,
apátridas e deslocados que, ao buscarem recomeçar a vida em novas
cidades, encontram barreiras no acesso a condições dignas de habitação. O
texto-base deste ano destaca um contraste crítico: o Brasil enfrenta um
déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias, conforme
levantamento da Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das
Cidades e o IBGE.
A campanha estabelece um paralelo entre essa realidade e as Escrituras,
recordando que o clamor “Eu não tenho onde morar!” ecoa desde o povo
escravizado no Egito e os exilados na Babilônia até a figura de Jesus, que
“não tinha onde reclinar a cabeça”.
Mobilização
A 41ª Semana do Migrante propõe uma programação diversa, que abrange
desde celebrações litúrgicas até ações de incidência política. O Serviço
Pastoral dos Migrantes (SPM) incentiva a realização de rodas de conversa
baseadas no método “ver, discernir e agir”, momentos culturais e
audiências públicas para ampliar o debate sobre direitos humanos e o
combate à xenofobia e ao racismo.
Para apoiar a mobilização, o SPM disponibiliza materiais de formação,
incluindo o texto-base, roteiros para rodas de conversa e um roteiro
litúrgico para o Dia Nacional do Migrante, celebrado este ano 21 de junho.
O material conta com sugestões de preces, homilias e espaço para
depoimentos de pessoas migrantes. Todos os recursos estão disponíveis em
formato digital para download através do link:
bSQYGxwIui
Papa Leão ressalta dignidade de migrantes
Nesta semana, durante sua viagem a Las Palmas de Gran Canaria, nas Ilhas
Canárias, o Papa Leão XIV destacou e inclinou-se diante da dignidade dos
migrantes atendidos pelas organizações da região. Para Leão XIV, eles não
são números nem processos administrativos, mas “pessoas com uma
família e uma casa deixada para trás; com sonhos que ninguém tem o
direito de desprezar”.
Leão também destacou a proteção das vidas dos migrantes: “cada vida
humana é uma bênção de Deus. Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la
ou descartá-la, porque em cada pessoa resplandece a imagem e semelhança
do Criador (cf. Gn 1, 27)”.
Em seu discurso, o pontífice também alertou que o drama dos migrantes,
especialmente os que se arriscam no mar em embarcações precárias, deve
se tornar um exame de consciência:
“[…] para as nações de origem, que devem criar condições de paz, justiça e
desenvolvimento; para as nações de passagem, chamadas a proteger e a não
deixar os mais fracos nas mãos de redes criminosas; para a Europa, que não
pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a que o Mediterrâneo e o
Atlântico sejam cemitérios sem lápides; para a comunidade internacional,
chamada a uma cooperação eficaz e perseverante”.
Também a Igreja é interpelada, uma vez que o acolhimento não pode ser
algo secundário ou delegado a alguns voluntários. Segundo o Papa, a
adoração a Cristo na Eucaristia, “de quem recebemos a força e a motivação
para viver a caridade”, não pode se tornar indiferença às canoas e as
pequenas embarcações.
Além das ações em favor dos migrantes que buscam uma vida melhor em
outros lugares, o Papa salientou que a dignidade humana também exige
“políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na própria
terra”.











Comentários