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3º Fórum Social reafirma compromisso em ações voltadas à proteção integral da infância e à valorização da mulher

  • há 1 minuto
  • 6 min de leitura

Agência Inter-Info

Sub-regional São José do Rio Preto

“Espalhemos a semente da caridade! Os frutos aparecerão!” (cf. Lc 13,18).

A partir desse lema, cerca de 170 lideranças e agentes pastorais da Sub-

região de São José do Rio Preto participaram do 3º Fórum Social, realizado

neste sábado, 30 de maio de 2026, na Escola Vocacional de Jales/SP.

Com o tema “Expandir a Ação Sociotransformadora da Igreja”, o Fórum

deu atenção especial ao aprofundamento da análise sobre a realidade que

envolve a Primeira Infância e a Mulher no contexto atual da sociedade,

promovendo reflexões, partilhas de experiências e articulações pastorais

entre a arquidiocese e dioceses participantes.

Neste encontro, o Sub-regional, que é formado pela Arquidiocese de São

José do Rio Preto e pelas Dioceses de Barretos, Catanduva, Jales e

Votuporanga, também resgatou as conclusões dos Fóruns Sociais anteriores

e suas implementações, compartilhando informações sobre direitos sociais

a serem tomados em ações sociopastorais e projetar a expansão da ação

sociotransformadora desde os contextos da Arquidiocese e das Dioceses do

Sub-regional.


A acolhida foi feita pelo bispo diocesano de Jales, Dom Reginaldo

Andrietta, anfitrião do encontro, juntamente com o arcebispo de São José

do Rio Preto, Dom Antonio Emídio Vilar, sdb, e os bispos Dom Moacir

Aparecido de Freitas (Votuporanga), Dom José Benedito Cardoso

(Catanduva) e Dom Milton Kenan Júnior (Barretos). Também participou

do encontro o Pe. José Nelson, assessor eclesiástico da Ação

Sociotransformadora do Regional Sul 1.

MULHER

Na realidade que envolve a Mulher, a assessora Ana Flávia Govea,

psicóloga clínica e social, explicou que a violência atravessa a vida da

mulher - no parto, na infância, na fase adulta e idosa. “A violência contra a

mulher existe de várias maneiras, não só o homem contra a mulher, mas

violência de filhos com suas mães, filhas com suas mães, mulheres com

mulheres, violência obstétrica, violência sexual, violência simbólica,

violência no trabalho e muitas outras”, ressaltou Ana Flávia.

A psicóloga reforça que a infância fica desprotegida automaticamente

quando negamos o amparo às mulheres. “Avançamos muito juridicamente,

mas precisamos avançar mais. Todos nós acompanhamos as atrocidades

que acontecem com as mulheres nos noticiários e isso é inaceitável.

Precisamos realmente cuidar das mulheres para cuidarmos da infância e da

família, pois as mulheres ainda são as bases”, disse.

Ana Flávia ressaltou que “a Igreja Católica acolhe as mulheres que sofrem

violência de uma maneira propositiva, segura e reflexiva, repensando

nossos comportamentos para protegê-las e, consequentemente, proteger as

crianças. As pastorais são meios para trabalharmos esse assunto,

principalmente com os homens, não só dentro da família, mas dentro do

seu lugar como sujeito, comprometido com a causa contra a violência. A

Igreja tem esse papel de orientar as mulheres, homens e crianças

justamente na ruptura da violência e promoção do acolhimento. É no

rompimento com a violência que damos continuidade na possibilidade de

família e de vida”.

PRIMEIRA INFÂNCIA

No tema sobre a Primeira Infância, a assessora Maria das Graças Silva

Gervásio, conhecida como “Gracinha”, assistente social e coordenadora

internacional da Pastoral da Criança, apresentou a importância do cuidado

conjunto das mulheres e das crianças, ressaltando o cuidado nos primeiros

mil dias da criança, promoção de política de proteção das crianças e

adolescentes e pessoas vulneráveis, dando sugestão de criação de uma

Comissão de Tutela nas dioceses e destacou o comprometimento coletivo.

“A primeira infância e a questão da mulher caminham juntas. Os dois

temas devem nos mostrar a responsabilidade que assumimos, promovendo

uma pessoa adulta saudável, em todos os sentidos. Todos nós, Igreja e

sociedade, somos responsáveis pelo cuidado com a criança e a mulher,

combatendo a violência de todas as formas”, explicou Gracinha.


Ela ainda explicou que a prevenção é o ponto chave. “Alguns indicadores

mostram que o Brasil tem cuidado dessa população, apresentando algumas

conquistas. Porém, ainda convivemos, infelizmente, com a mortalidade

infantil, crianças sem registro de nascimento e muitos outros fatores.

Precisamos olhar com mais carinho para essa realidade para tentarmos,

realmente, atingir o objetivo que nós queremos: desenvolvimento integral

da criança.”

Maria das Graças finalizou afirmando que “se cuidamos da primeira

infância, teremos uma sociedade mais saudável e consciente para os

cuidados com a mulher, com as juventudes e com a população idosa”.

CAMINHO A SEGUIR

Na mensagem oficial do 3º Fórum Social do Sub-regional, os participantes

reafirmaram o compromisso de promover e fortalecer ações voltadas à

proteção integral da infância, à valorização da mulher, ao fortalecimento

das famílias, à promoção da saúde emocional, à prevenção das diversas

formas de violência e à participação ativa na construção de políticas

públicas que garantam dignidade e oportunidades para todos.

“Reconhecemos, nesta 3ª edição, a urgência de fortalecer o compromisso

com a vida, especialmente com a primeira infância e com as mulheres,

promovendo relações fundamentadas no respeito e na justiça, bem como

ampliando ações de enfrentamento às diversas formas de violência e

exclusão que atingem muitíssimas famílias”, diz a mensagem.

Por fim, a mensagem finaliza encorajando “todas as pessoas de boa

vontade a espalharem a semente da caridade em seus ambientes de vida,

certos de que os frutos da solidariedade, da justiça e da esperança

florescerão.”


PALAVRA DA IGREJA

Para Dom Vilar, a Igreja nasceu para evangelizar os pobres e trazer a

mensagem de salvação de Cristo. “É claro que em cada época nós temos

que adequar, atualizando as realidades próprias. Estamos juntos nos Fóruns

Sociais buscando pistas para expandir a Ação Sociotransformadora, junto

com o magistério da Igreja. Que as lideranças tenham coragem de ser voz

no mundo em suas ações sociais. Que possamos colher e também plantar

para levar adiante o reino, servindo os mais pobres, os mais necessitados.”,

disse o arcebispo.

Dom Reginaldo, anfitrião do encontro, informou que a violência contra a

mulher e o descaso com a infância é uma realidade brasileira muito grave.

“No Brasil temos leis já muito avançadas, mas as pessoas não vivem

segundo esses princípios éticos traduzidos em lei. Este fórum é muito

importante nesse sentido para partilhar informações, esclarecer quem ainda

não conhece bem não só a problemática, mas também todo o arcabouço de

proteção legal e daí a necessidade de nós estarmos unindo esforços de

aplicabilidade das leis e também criar novas leis no sentido de favorecer a

proteção à essas populações, sobretudo a primeira infância e também à

condição da mulher”, disse o bispo de Jales.

Dom Reginaldo reforça que “devemos tratar bem a criança na primeira

infância até na adolescência, educando esse indivíduo para que cresça um

homem consciente, menos machista, menos preconceituoso e uma mulher

também mais consciente dos seus direitos”.

Bispo de Votuporanga, Dom Moacir, refletiu que “esse trabalho está em

sintonia com aquilo que o saudoso Papa Francisco pediu: uma Igreja

Sinodal. As informações que nós temos sobre a violência contra a mulher é

muito preocupante, sobretudo os testemunhos que foram colocados neste

Fórum. Isso nos ajuda, como Igreja, a encontrar a solução. Como contribuir

na sociedade para uma cultura de respeito, de cuidado, seja para com a

mulher, seja para com a pessoa humana. Que nós possamos perder o medo

de conhecer a realidade e, unidos a Jesus Cristo, buscar também a

construção desse mundo mais humano, mais fraterno, com os valores do

Reino de Deus”.

Dom Milton, bispo de Barretos, ressaltou a importância do Fórum na

província, afirmando que o tema vai de encontro com a Campanha da

Fraternidade de 2027. “No ano que vem, o tema da Campanha da

Fraternidade será relacionado à infância. Eu acho que este encontro já nos

prepara para depois aprofundarmos ainda mais o tema da campanha.

Aos poucos nós vamos construindo as pistas para agirmos em nossas

comunidades. Espalhemos a semente da caridade, os frutos aparecerão”.

Já o bispo de Catanduva, Dom José Benedito, pede para que as lideranças e

os agentes de pastoral deem continuidade àquilo que a 3ª edição do Fórum

propôs como caminho e afirma que o cuidado inicia desde cedo. “Para que

nós possamos ter pessoas mais equilibradas é preciso começar cedo. Tudo

tem que começar cedo. Se desde cedo nós já começarmos colocando

valores e realizarmos uma catequese bem feita, com certeza vamos ter um

bom resultado na sociedade.”

Para o Pe. José Nelson, assessor eclesiástico da Ação Sociotransformadora

do Regional Sul 1, a Igreja Católica ainda é, no mundo, a instituição que

mais olha para as questões sociais. “Na história da humanidade a Igreja

teve um papel importante e não é diferente nesse encontro. Quando se fala

de uma mulher marginalizada ou qualquer pessoa, muitas vezes se entende

como pessoa de uma periferia local. Porém, existem as periferias

existenciais. Então, mesmo dentro de casa, com toda uma estrutura, a

mulher pode ser marginalizada sendo vítima de violência, vítima de uma

sociedade que não entendeu ou não compreendeu o verdadeiro papel da

mulher”, reforçou o Pe. José.

Ele finalizou reforçando que “é preciso educar, é preciso orientar, é preciso

evangelizar as crianças hoje, para que tenhamos adultos mais responsáveis

e conscientes no amanhã”.

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