Depois de cassar Nice, Câmara de Jales aprova as contas dela


A Câmara de Jales mostrou mais uma vez que pode ser “uma caixinha de surpresas” ou um “poço de contradições”. Na última segunda-feira, 10, os vereadores aprovaram o parecer prévio do Tribunal de Contas que era favorável às contas da Prefeitura Municipal de Jales, relativas ao exercício de 2013, primeiro ano da administração Nice.

Era preciso sete votos contra o parecer, mas apenas cinco vereadores mantiveram a posição que cassou a prefeita no início do ano passado por conta de irregularidades nas mesmas contas do exercício 2013.

Votaram contra o parecer os vereadores Luís Rosalino(PT), Pérola Cardoso(PT), Jesus Martins Batista(DEM), Tiago Abra(PP) e Júnior Rodrigues(PSB). Os favoráveis foram Sérgio Nishimoto(PTB), Fagner Pelarini(PRB), Nivaldo Batista de Oliveira, o Tiquinho (PSD), Gilberto Alexandre de Moraes(DEM) e Claudir Aranda(PDT).

Nishimoto pertence ao partido da ex-prefeita e Pelarini (Nenê do PET Shop) não era vereador na época da cassação. Claudir, Gilberto e Tiquinho votaram a favor da cassação, mas mudaram de opinião agora.

Câmara de Jales - um poço de contradições

A ex-prefeita, que havia entregado sua defesa escrita no período da tarde, acompanhou pessoalmente a sessão, que durou mais de três horas. Ao final, Nice usou a contradição dos vereadores para criticar indiretamente a sua cassação afirmando que o parecer corroborava a sua administração. Além disso, indicou que pode se candidatar à prefeitura neste ano, se tiver apoio.

Um dos que votaram pela cassação da prefeita, Gilberto não se contentou em se contradizer. Foi à tribuna para admitir que não poderia votar contra o parecer porque é leigo e o TCE é composto por técnicos.

Do lado dos que mantiveram a coerência em relação à cassação da prefeita, Rosalino e Tiago Abra também ocuparam a tribuna. O primeiro citou as várias irregularidades cometidas pela administração Nice e investigadas pela Câmara, que instalou, em 2013, três o CEIs para apurar denúncias contra a ex-prefeita.

Tiago Abra também argumentou que as investigações da câmara resultaram em ações iniciadas pelo Ministério Público que resultaram no bloqueio de bens da ex-prefeita e de outros membros de sua administração.

O Tribunal de Contas não encontrou as mesmas irregularidades que a câmara que apontou problemas nas contas da Facip, Expô Show, Uniformes Escolares ou ao coleta e destinação do Lixo.