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Preço do leite dispara e assusta consumidores



Alta dos combustíveis e energia elétrica encarecem a produção enquanto ganhos abissais dos laticínios chegam a 150% sobre o preço pago ao produtor


A Tribuna

Qualquer consumidor de leite que freqüenta as gôndolas dos supermercados e padarias já percebeu a disparada nos preços do alimento nos últimos meses. Não é mera impressão. É pura verdade! Nesta semana, a reportagem do jornal A Tribuna percorreu alguns estabelecimentos de Jales e encontrou a caixinha de um litro de leite longa vida (UHT) a R$ 5,59 e o leite cru, em saquinho, a R$ 4,19.


Segundo a Embrapa Gado de Leite, a alta no atacado ultrapassou 31% somente em um ano no estado de São Paulo. A Embrapa Gado de Leite é uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a cotação são do Informativo mensal produzido pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite.

Segundo a empresa, todos os principais derivados de leite tiveram altas contínuas de preços, com destaque para o leite UHT e o queijo muçarela, com valorizações de 17,4% e de 19,9% sobre fevereiro. A aproximação da entressafra e a baixa oferta de leite têm viabilizado os repasses de preços junto aos varejistas.

Segundo o boletim de março do Centro de Inteligência do leite, da Embrapa, em 21 de fevereiro o litro do leite UHT era vendido no atacado a R$ 2,82 e em 25 de março chegou a R$ 3,99. A alta em relação ao preço pago há um ano (março de 2021) foi de 31,8% e em relação ao mês anterior (fevereiro de 2022) foi de 17,4%.

Para os produtores, porém, esses aumentos percebidos pelos consumidores finais não chegam com a mesma intensidade. No Paraná e Santa Catarina as altas estimadas ficaram próximas de 10%. Em Minas Gerais a elevação prevista foi de apenas 2,8%.

Em março deste ano, o preço do leite ao produtor registrou elevação na comparação com o mês anterior, fechando em R$2,21 por litro. Para o pagamento de abril, a indicação é de alta, em linha com o observado no mercado atacadista.

A reportagem ouviu um produtor de leite que mantém o seu rebanho em Minas Gerais e produz 2 mil litros por dia. Ele acredita que o gargalo está na indústria, que fatura alto e paga pouco. “Vou receber R$2,43 por litro. O preço ainda está muito ruim por conta do custo da produção e muita gente parou de produzir. Aqui na região, tivemos uma queda imensa, algo em torno de 20% a 32% de captação, então está faltando leite no mercado e aí entra a lei da oferta e da procura, que acaba refletindo um pouco nas gôndolas, mas isso não chegou ao produtor na medida que precisa”.

DIFERENÇA ABISSAL

Segundo Cláudio Correa, especialista em agropecuária e colunista do site Campo Aberto e da rádio CBN Grandes Lagos, a diferença entre o que a indústria paga aos produtores e o que cobra dos consumidores é “abissal”.

“A diferença entre o que é pago pelo consumidor e o que é pago ao produtor é abissal e isso não é de hoje, é de décadas e isso não vai mudar. Temos poucos laticínios fortes e uma quantidade de produtores muito grande e desunida”.

Para ele, a alta de preços verificado nos últimos meses se dá principalmente pela alta dos insumos, como energia elétrica. “Os insumos que encarecem muito a produção de leite são a alimentação do gado e a energia elétrica, que vem subindo muito. Hoje em dia é comum a qualquer produtor ter tanque de resfriamento e ordenha mecânica. Também tem a mão de obra, o diesel, tivemos a seca, enfim, são muitos fatores e a produção do leite acaba sendo muito custosa para o produtor e muito vantajosa para o laticínio, que também tira muitos derivados do leite de boa qualidade”.

O especialista aponta o que pode ser interpretado como uma distorção do mercado. “O produtor é o único que entrega o produto durante 30 dias e só vai saber por quanto ele vendeu, depois que receber o chequinho na mão. Então o preço do leite vai continuar subindo”, finalizou.

OUTRAS ALTAS

Não é somente o leite que teve alta significativa nos últimos meses. Segundo a Bolsa Brasileira de Mercadorias, o feijão carioca subiu 6,67% na última semana, em Goiás. O arroz Longo Fino - Tipo 01 subiu 7,14%.


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