CORONAVIRUS: Rio Preto monitora paciente que veio da Itália

A Secretaria de Saúde de Rio Preto está monitorando um paciente - homem na casa dos 30 anos - que chegou ao Brasil vindo do norte da Itália no último dia 23. Ele passou por atendimento no Hospital de Base na madrugada desta quarta-feira, dia 26, com sintomas de resfriado. Por conta de ter vindo de um país onde há cadeia de transmissão de coronavírus, a Saúde considera que há epidemiologia para a doença.

A princípio, não se fala a palavra "suspeito" porque o paciente estaria sem febre, que é um dos critérios definidos pelo Ministério da Saúde para enquadrar uma ocorrência como suspeita de coronavírus. De acordo com Jorge Fares, diretor-executivo do HB, inicialmente a orientação do Grupo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde foi de não realizar exames no paciente. Ele foi liberado para ficar em casa, em isolamento. "Ele veio da Itália com o resfriado, por isso que ele procurou o hospital, porque ficou com medo", fala Amália Tieco, diretora do HB.


Fares e Aldenis Borim, secretário municipal de Saúde, porém, decidiram fazer exames no paciente. Primeiramente uma equipe da Vigilância Epidemiológica iria até a casa dele e, com sua autorização, colheria amostras de sangue que serão testadas para vírus respiratórios. Caso esses resultados sejam negativos, será colhido material respiratório para testar o coronavírus. A previsão é que a coleta do sangue acontecesse entre o final da tarde de quarta e esta quinta-feira.

"Pode ser só um resfriado mesmo. O fato de não ter febre diminui a possibilidade, mas não exclui coronavírus", pontua Fares. "Ele tinha uma epidemiologia que fica em dúvida, veio da Itália, é um negócio que tem que ser considerado."

Nesta quarta, houve um desencontro de informações por parte do poder público. A primeira nota emitida pela Prefeitura dizia que a Saúde não havia sido comunicada por nenhum órgão estadual ou municipal de saúde sobre caso suspeito ou confirmado de coronavírus na cidade e que qualquer informação contrária ao que fosse divulgado pela pasta seria "boato e fake news".

Ao tomar conhecimento deste texto, depois de já ter informado ao Diário que a Saúde monitoraria o paciente, o secretário Borim afirmou que não sabia da nota, ou seja, seu teor não havia passado por sua aprovação. Ele então pediu que a assessoria de imprensa enviasse novo comunicado, que confirmou o monitoramento.

Maurício Lacerda Nogueira, do Laboratório de Virologia da Famerp, explica que, por enquanto, os critérios para definição de casos suspeitos incluem febre, o que o paciente não apresentou. "Podem ser criticados os critérios, mas é o que tem para hoje, é a forma como o sistema de vigilância funciona", diz.