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CNA lamenta suspensão de medidas antidumping do leite. Decisão da Camex reconhece a prática desleal, mas suspende a aplicação das tarifas

  • 31 de mai.
  • 2 min de leitura

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lamentou a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de não aplicar imediatamente medidas contra o comércio desleal na importação de leite em pó da Argentina e do Uruguai.


O governo reconheceu a prática de dumping, mas decidiu suspender a aplicação das tarifas, mesmo com a recomendação técnica. Com isso, o setor produtivo permanece exposto às comprovadas práticas desleais de comércio, demonstradas pela CNA ao longo da investigação.

A suspensão foi decidida em função de preocupações do governo com eventuais reflexos negativos na economia.

Os produtores brasileiros de leite têm enfrentado concorrência com preços artificialmente baixos nos últimos anos, e as importações bateram novo recorde em 2026. A Argentina e Uruguai foram responsáveis por 90% dos 604 milhões de litros de leite equivalentes, a preços carregados de distorções de até 60%.


O mecanismo adotado para suspender as tarifas foi a abertura de avaliação de interesse público para que o governo estude os impactos na economia e nas relações diplomáticas com Mercosul.


A CNA, no entanto, destaca que a correção de práticas desleais não trará efeitos negativos na economia, uma vez que o peso do leite em pó ao consumidor final está excluído da investigação. Além disso, essa categoria representa peso diminuto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de apenas 0,2% na média dos últimos cinco anos.


“Os principais lácteos consumidos pelos brasileiros, com destaque para o leite longa vida, queijos, e outros produtos derivados não serão afetados”, explicou o assessor técnico da CNA Guilherme Souza Dias.


Com o resultado da reunião do Gecex/Camex, na quinta (28), a CNA continuará trabalhando para reverter o cenário e garantir a efetiva defesa comercial da produção nacional de leite diante das já comprovadas práticas desleais de comércio.


“A luta ainda não acabou, seguiremos dialogando com o governo para conquistar a legítima defesa comercial para nossos produtores leite”, comentou o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Jônadan Ma.

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