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A CRISE HUMANITÁRIA DOS YANOMAMIS: UM GRITO POR SOCORRO - artigo semanal da Diocese de Jales


“Indígenas perderam as forças causada pela desnutrição. 

Sem forças, não tem como caçar, coletar e pescar o que comer,

 tampouco fazer as roças para retirar seus alimentos”.

Davi KopenawaYanomami 


Quem são os Yanomamis? Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados da América do Sul. Eles vivem nas florestas e montanhas do norte da Floresta Amazônica. Hoje, sua população total é de cerca de 31.000 indígenas.

No coração da Amazônia, uma tragédia humanitária silenciosa assola o povo Yanomami. Desde 2023, e agora, no início de 2024, testemunhamos uma escalada alarmante de problemas que ameaçam a sobrevivência e a dignidade desse povo indígena ancestral. A crise é multifacetada, mas suas raízes estão entrelaçadas em uma teia de exploração, negligência e desrespeito pelos direitos humanos fundamentais. A afirmação de que vivemos em um Estado de Direito é repetida a todo o momento. O Estado brasileiro demarcou a área onde vivem os yanomamis. A conclusão é lógica: quem adentra a terra sem autorização está cometendo um crime. Essa é a questão principal. Aprofundar as discussões e as narrativas a respeito do tema podem ser manipuladas de forma regressiva, favorecendo novas ocupações e conflitos violentos.


Padre Eduardo Lima, Coordenador Diocesano de Pastoral e Presidente da Univida

O garimpo ilegal surge como uma das principais causas dessa crise. A invasão indiscriminada de garimpeiros em territórios Yanomami não só destrói o meio ambiente, mas também traz consigo um rastro de desolação humana. O mercúrio utilizado na extração de ouro contamina rios e alimentos, levando à intoxicação e morte de crianças Yanomami, além de doenças graves e irreversíveis. Um ano após ser decretada a emergência sanitária no território Yanomami, os indígenas ainda enfrentam um quadro de desnutrição grave. A desnutrição é outra consequência devastadora, exacerbada pela degradação do ambiente natural e pela interrupção das práticas tradicionais de subsistência. A questão em discussão é manter o foco: os yanomamis têm direito de viver em terra demarcada, os garimpeiros, não.

A perda da cultura e da identidade Yanomami é uma ferida profunda causada por décadas de negligência e descaso do poder público. A falta de políticas eficazes de proteção territorial e de garantias de acesso a serviços básicos de saúde e educação contribui para o enfraquecimento dessa rica e vibrante comunidade, privando as gerações futuras de seu patrimônio cultural e conhecimento ancestral.

É imperativo que as autoridades governamentais ajam com urgência para proteger os direitos dos Yanomamis. Isso inclui o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização e proteção dos territórios indígenas, bem como o apoio à implementação de programas de saúde e educação culturalmente sensíveis. Além disso, a sociedade civil tem um papel fundamental a desempenhar, mobilizando-se para amplificar as vozes dos Yanomamis e pressionar por medidas concretas que abordem as causas subjacentes dessa crise humanitária.

Um Chamado à Ação Coletiva: a crise humanitária dos Yanomamis não é apenas uma questão localizada na Amazônia, mas uma chamada de alerta global para a urgência de proteger e respeitar os direitos dos povos indígenas em todo o mundo. À medida que testemunhamos a destruição contínua do meio ambiente e a perda irreparável de culturas ancestrais, é imperativo que nos unamos em solidariedade e ação, defendendo os direitos humanos e ambientais de todos os povos, incluindo os Yanomamis.

A hora de agir é agora. O mundo está de olhos postos na Amazônia, e a história nos julgará pelo que fizermos - ou não fizermos - para proteger aqueles que são os guardiões da floresta e os tesouros vivos da humanidade. Que este momento de crise seja um catalisador para a mudança positiva e para o reconhecimento da dignidade e dos direitos inalienáveis do povo Yanomami.


Padre Eduardo Lima, Coordenador Diocesano de Pastoral e Presidente da Univida

Jales, 8 de fevereiro de 2024.


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