Investir em Esporte para salvar nossa sociedade - ARTIGO


Investir em Esporte para salvar nossa sociedade - Artigo do vereador Tiago Abra

Na década de 90 vivemos o auge do esporte em nossa cidade. Tínhamos o CAJ (Clube Atlético Jalesense), a equipe de Basquete, famosa nacionalmente, além de um Campeonato Amador de Futebol de dar inveja a grandes centros, escolinhas de vários esportes nos bairros e clubes da cidade.

De lá pra cá, os investimentos foram diminuindo e o esporte foi sendo deixado de lado. O time de basquete sumiu, o recém-criado Jalesense Atlético Clube luta para sobreviver, e as escolinhas nos bairros e clubes praticamente acabaram, e o número de clubes de futebol amador foi reduzido pela metade. Enfim, o esporte em nossa cidade pede socorro.

Tão logo o Brasil foi anunciado, em 2009, para sediar as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, muitos atletas viram o que achavam ser uma luz no fim do túnel. Investimentos de R$ 4 bilhões foram anunciados somente para preparação de atletas, centros de treinamentos e equipamentos.

Aliado a isso, muitos acharam que finalmente iria ter início uma nova era na gestão do esporte brasileiro: Investir em crianças e jovens para economizar em Segurança Pública. O Esporte e a Cultura são, indiscutivelmente, poderosas ferramentas de transformação social.

Passado o evento, aconteceu exatamente o contrário. Os investimentos foram reduzidos a quase nada, clubes tiveram que dispensar atletas, centros de treinamentos ficaram abandonados, e agora o que parece ser o golpe fatal. As novas regras para distribuição de recursos das loterias federais, assinada no início do mês pelo presidente Michel Temer.

Com a Medida Provisória, que pode representar um corte de meio bilhão de reais para o esporte em 2019. Órgãos públicos como o Ministério do Esporte e Secretarias Estaduais de Esporte devem sofrer uma redução brusca em seus orçamentos. A medida também afeta outras entidades, como o Comitê Olímpico do Brasil e o Comitê Paralímpico Brasileiro.

Não é só o esporte brasileiro que perde, mas o país como um todo. Investir no futuro atleta logo em seus primeiros anos é crucial. Principalmente quando levamos em conta o atual cenário nacional. Segundo dados do levantamento Esporte pelo Brasil, da organização Atletas pelo Brasil, quanto menor a escolaridade, maior é a inatividade das pessoas. A pesquisa aponta ainda que 18,5% das crianças com até 8 anos não praticaram qualquer atividade física a lazer nos últimos três meses. Entre nove e 11 anos, o percentual é de 11,8%. Acima dos 12 anos, esse número sobe para 14,2%.

Se o mesmo dinheiro da Caixa, Petrobrás e do BB, entre outros, fosse canalizado para as universidades federais, por exemplo, poderiam ser construídos centros esportivos públicos (pois as universidades são públicas), com estádios, piscinas, quadras, etc., campeonatos universitários - em nível nacional – amadores, em dezenas de atividades “olímpicas”, caça de talentos pelas próprias universidades nos colégios da região, incentivos e bolsas de estudo aos bons esportistas da comunidade, associando esporte, nação e educação numa única equação.

Por isso o sucesso dos EUA. Deste modo, o Estado atua como indutor e trabalha no ambiente amador do esporte, que tantas satisfações tem dado a muito países nos quais o ambiente universitário dá cobertura a todos estes esportes.

O fato é que investir em esporte é investir no Brasil. Tirar crianças do ócio e das ruas e ensinar disciplina física e psicológica que o esporte exige pode salvar milhares de adultos do mau caminho.

Em Jales, o esporte deve ser mais valorizado também. É preciso buscar parcerias com a sociedade, escolas e empresas. Reativar escolinhas, como a de atletismo, basquete, vôlei. Fazendo isso, com certeza, teremos uma sociedade da qual iremos nos orgulhar num futuro próximo