Vice-prefeito de Estrela d'Oeste já tomou posse nesta segunda-feira


Alegando seguir “sinais divinos” e dificuldades devido à falta de experiência político-administrativa, o prefeito de Estrela d’Oeste, Antônio Valter dos Santos, conhecido como Antônio Escrivão (PHS), renunciou ao cargo no fim da manhã de anteontem, sexta-feira, 18 de janeiro. “Como pessoa espiritualizada, eu sempre busquei sinais divinos. Sempre busquei saber quais eram os caminhos. A gente vê um sinal divino sim, porque as coisas estão programadas para acontecer”.

A notícia foi dada durante entrevista ao vivo numa rádio da cidade, que também pertence ao grupo político do ex-deputado Vadão Gomes, ao qual o prefeito também pertence. “É um ato muito consciente que vem sendo trabalhado com muita reflexão, buscando sempre o amparo divino. Não foi o jogo político [que me obrigou]. Também não vi nada dentro da prefeitura que me decepcionou”.

Antônio Escrivão (mais alto) deixou o cargo para o vice, Barão - Jales Notícias

Segundo ele, os rumores sobre a sua renúncia já circulavam pelos meios políticos da cidade e a decisão já tinha sido tomada desde dezembro passado, mas não tinha sido comunicada nem mesmo para a sua família e muito menos ao vice e à Justiça Eleitoral. Uma carta formal de renúncia será entregue à justiça.

Escrivão justificou a sua candidatura a prefeito, dizendo que a intenção era apenas ser vereador, mas que enxergou na cadeira de chefe do Executivo uma oportunidade maior de ajudar a população.

“A idéia era sair para vereador, conhecer o meio e ir de vagar. Mas como pessoa espiritualizada eu não sentia isso. Eu tinha alguns sinais que mostravam algo mais do que vereador.Eu passava em frente à câmara e não me via trabalhando ali. E quando surgiu a possibilidade de ser prefeito, isso me impressionou muito e eu não poderia deixar de assumir esse compromisso porque queria ajudar as pessoas”, disse.

Novato na política, Antônio Escrivão (PHS) nunca tinha se candidatado a nenhum mandato político, mas foi eleito logo na primeira tentativa, em 2016, na coligação “Estrela da Nova Era”, que também era formada por PMDB / PSB / PP / PRB e obteve 3.010 votos ou 53,3%, derrotando o ex-prefeito Pedro Itiro (DEM) que conseguiu 2.666 ou 46,97% dos votos.

A sua falta de experiência também contribuiu para o fracasso da sua gestão, ainda segundo o próprio prefeito.

“Todos sabem que eu nunca me envolvi com política, não sou um administrador, ou seja, as dificuldades, no meu caso são naturais, e a boa vontade é grande, mas essas dificuldades vão pesando mais com o passar do tempo e chegou um momento em que chegou esse questionamento sobre a minha capacidade de administrar. Eu, que estou acostumado a agregar, não posso ser um elemento desagregador do grupo”.

Como o apelido sugere, o prefeito foi escrivão de polícia durante 18 anos e se projetou por conta do seu trabalho social num Centro Espírita da cidade.

Os problemas financeiros e as dificuldades para se encontrar conquistar para o município também foram fator importante. “As dificuldades vão pesando e chegou a um certo momento em que começou a surgir este questionamento, se eu tenho capacidade para servir a população [como prefeito].

O vice prefeito, Marcos Antonio Saes Lopes, conhecido como Barão (PSB), já tomou posse no fim da manhã desta segunda-feira, 22 de janeiro. Ele recebeu rasgados elogios, depois que o titular minimizou os prejuízos políticos e administrativos que a atitude poderá causar ao seu grupo e ao município.

“Não acho que vou fazer tanta falta. A população não votou somente no Antônio Escrivão, mas na renovação. Temos um grupo sólido de pessoas competentes na administração e na câmara. O nosso vice Barão é uma pessoa que tem o perfil político que eu não tenho. Seria uma postura egoísta minha continuar sem esse perfil. O Barão tem essa capacidade e faz a máquina funcionar melhor”.